Sociedade civil e servidores públicos: Um envolvimento necessário

Publicada em 25/08/2020

A sociedade no contexto da pandemia de COVID-19 vem realizando debates e reflexões importantes sobre o mundo do trabalho. Diante disto viemos observando manifestações de solidariedade e empatia para com os profissionais da saúde, os quais, mesmo sob o risco das próprias vidas e de seus familiares, seguem empenhados no cumprimento do dever. Tal qual os profissionais da saúde, a Polícia Militar, enquanto serviço essencial, está sempre nas ruas para garantir a segurança e a ordem pública. Ambas atividades caracterizadas como essenciais, que sofrem o peso da invisibilidade no cotidiano normal.

A Polícia Militar tem como função o exercício da polícia ostensiva, devendo trabalhar fardada, para que as pessoas possam identificá-la quando necessário, tanto para a manutenção da ordem pública quanto para a segurança. Trata-se de tarefa de alta complexidade que, salvo em atendimento de ocorrência, é quase imperceptível aos olhos da população. Normalmente, a Polícia Militar é mais uma na rua, ganhando visibilidade quando, por conta do uso da força, expediente por vezes necessário, é considerado truculento e violento. Não raro quando está patrulhando a cidade, muitos acham que está “a passeio” ou, quando em alta velocidade, são considerados imprudentes pelas mesmas pessoas que, ao chamarem o socorro, exigem que venha rápido.

É neste cenário de invisibilidade dos profissionais da segurança, que convivemos com uma violência e criminalidade as quais atingiram níveis absurdos entre 2015 e 2016, especialmente na cidade de Porto Alegre. Tivemos o recrudescimento dos indicadores de criminalidade, principalmente do homicídio, com importante impacto na vida das pessoas e que exigiu por parte do Estado priorização e medidas emergenciais. Tais medidas isoladamente não conseguiriam responder efetivamente ao problema e seriam necessários esforços adicionais para o enfrentamento do mesmo. A grave crise na segurança, aliada à necessidade de inovação do modelo de resposta, contribuiu para a emergência de ações até então não observadas no âmbito da segurança: o envolvimento da sociedade civil. Este mesmo envolvimento que vemos hoje impulsionando a resposta à epidemia através de doações, iniciativas de Universidades, empresas, instituições e pessoas na produção e disponibilização de EPIs para os profissionais de saúde.

Na Segurança, destaca-se como fundamental a atuação de empresários, que se organizaram e através da doação de recursos financeiros, proporcionaram a aquisição de viaturas, coletes e armamentos, bem como ações de comunicação com campanhas de valorização e reconhecimento das ações da Polícia Militar e dos(as) policiais militares. Também é importante destacar a cobertura dada pelos órgãos de imprensa às ocorrências, que aumentou a visibilidade institucional e colocou em evidência a temática da Segurança Pública favorecendo o engajamento da população na adoção de medidas para o aumento da segurança e valorização dos profissionais. Na cidade de Porto Alegre ocorreram em 2019, uma média de quatro confrontos armados por dia. O profissional de segurança que se envolve nestas ocorrências necessita, além do salário digno, condições materiais, treinamento e organização, além do apoio e valorização pela sociedade. Este apoio deve ocorrer tanto por ações cotidianas como um cumprimento, agradecimento e reconhecimento, quanto por ações de Responsabilidade Social como as acima descritas.

O momento atual voltou os olhos da sociedade para profissionais até então invisíveis para a maioria e estimulou ações de apoio e fortalecimento para os profissionais de saúde no enfrentamento ao COVID-19. Este engajamento social é em parte decorrente do reconhecimento que a população está tendo da importância destas atividades para a manutenção da vida de todos. Esperamos que a empatia, a Responsabilidade Social e o apoio direcionados a estes serviços sejam um legado da pandemia que atinja a Segurança Pública, afinal estes são os profissionais que, mesmo sob o sacrifício da própria vida, estão na rua para proteger a sociedade.

Mário Yukio Ikeda- Coronel, Ex-Comandante da Brigada Militar. Especialista em Políticas e Gestão de Segurança Pública

Escrito por: Mário Yukio Ikeda

Coronel Ikeda

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