Retorno as aulas

Publicada em 25/08/2020

No dia 19 de março, ao ser anunciado o fechamento das escolas, muitos imaginavam 15 dias, outros 30, os mais pessimistas acreditavam no retorno em agosto. Pois é, passados quase 4 meses, aos poucos o comércio abriu, as academias abriram, os shopping abriram, os salões de beleza abriram, mas a volta às aulas se mostra como algo quase utópico aos porto-alegrenses.

Enquanto vemos o retorno às aulas sendo considerado “de extrema importância” para alguns países, para muitos por aqui é considerado “um luxo desnecessário”. É aí que vemos o real valor que atribuímos ao ensino.

Em Porto Alegre, menos de 30% dos alunos do ensino básico estão na rede privada. Por isso, é muito mais fácil beneficiar outros setores. Afinal, se o estudo é gratuito, ninguém está vendo o custo oculto de manter as escolas fechadas. Mas em um Estado onde greves que duram muitos meses são toleradas pelos pais, quem se dará o trabalho de se mobilizar em plena pandemia a falar sobre o retorno das aulas?

Como não existe almoço grátis, o baixo ativismo dos pais por vezes coloca em xeque o potencial do futuro de nossos filhos. E agora, ao nos depararmos que o poder público pode colocar na mesma cesta os alunos da rede privada, vemos que a passividade diante da baixa preocupação quanto ao estudo não é mais a mesma.

Os pais da rede privada pesquisam arduamente qual a melhor escola para seus filhos, pensam todo mês como farão para pagar o boleto da escola (afinal educação privada é realmente um luxo). Por isso, nós somos vigilantes quanto ao aprendizado dos nossos filhos.

Aos poucos, estamos vendo que outros países retornam às aulas, aos poucos vamos vendo mais claramente através de estudos a baixa presença do COVID-19 em crianças. Aos poucos, vamos vendo que estamos nos dando ao luxo de freqüentar salões de beleza, restaurantes, comércio que respeitem os protocolos, mas não demos chance que nossas escolas nos mostrem sua capacidade de seguir protocolos, para darmos um luxo que nossos filhos não têm ha mais de 100 dias.

Em meados de julho, ouvir frases como “este ano está perdido” por parte de pais e professores, nos mostra claramente o quanto as duas partes mais importantes para o sucesso da educação têm dificuldade de dialogar. E no meio do caminho estão nossas crianças, que sofrem caladas pela falta de diálogo e bom senso dos adultos que as cercam. Afinal, no que tange a educação estamos conseguindo apenas enxergar o homeschooling ou salas lotadas.

E lá vamos nós, para mais 15 dias, na expectativa de voltarmos a bandeira laranja, onde uma série de setores retornaram as atividades, mas acreditar que a Educação está incluída nesta próxima bandeira se mostra utópico. Em um município sem protocolos para a reabertura, caberá a nós pais sairmos da zona de conforto e lutarmos pelo futuro das nossas crianças!

Mariana Pimentel, 34 anos, é mãe do Luigi (4 anos) e da Lara (1 ano). Administradora de Empresas, com MBA em Finanças pela FGV/SP e Mestre em Finanças pela UFRGS.
Filha de empresários, aos 22 anos, após concluir a graduação, fez empréstimo para abrir sua rede de lojas no segmento de beleza. Participou de entidades empresariais como presidente do CDL Jovem, diretora do SINDILOJAS e membro do Ciclo Empreendedor. Com 28 anos, conduziu a negociação da venda das empresas da família.
Na iniciativa privada, trabalhou no mercado de investimentos e relações com investidores. Atualmente é empreendedora, sócia da barbearia La Mafia Social Club.
Atleta desde a infância aos 15 anos recebeu bolsa de estudos de esportes para cursar o high school na Nova Zelândia, devido a seu desempenho jogando futebol.

Escrito por: Mariana Pimentel

Mariana Pimentel

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