ADENSAMENTO DE RIQUEZA

Publicada em 26/11/2020

Para além do debate sobre silhueta da cidade, edifícios representam um paradigma urbano: queremos nossas cidades mais ou menos acessíveis a sua população?

O bom aproveitamento de áreas com infraestrutura urbana instalada é essencial para uma cidade se tornar mais próspera. Os prédios trazem novas opções e ofertas de moradia e trabalho próximas aos centros das cidades. Além disso, fazem bem ao meio ambiente: evitam o espaçamento urbanos em áreas verdes, reduzem poluição do deslocamento de veículos e permitem melhor aproveitamento energético e do saneamento.

O Plano Diretor de Porto Alegre, porém, impõe como regra geral o limite de 52m de altura às edificações, fazendo com que a cidade cresça cada vez mais de forma horizontal. Assim, a população é afastada dos centros de saúde, trabalho e educação, e a mobilidade é prejudicada. Além disso, restringe zonas da cidade para apenas um tipo de uso – comercial ou residencial, prejudicando o modelo moderno de cidade onde o trabalho e a moradia podem estar no mesmo quarteirão.

Enquanto Belo Horizonte consegue abrigar 7.167 habitantes por km quadrado, Porto Alegre fica com a provinciana densidade de 2.837 habitantes por km quadrado (IBGE, 2010). Chocante, então, a distância para capitais mundiais referência em qualidade de vida como Paris (20.781 hab/km2), Seul (9.100) e Hong Kong (25.700).

Te convido a refletir: quanto custa para a cidade e para cada cidadão levar infraestrutura urbana cada vez mais para a periferia? Pense em cada 1km de distanciamento do centro: são milhões de reais em infraestrutura de iluminação, galerias de esgoto, pavimentação de ruas e calçadas, canos e bombas d’água, paradas de ônibus, escolas, creches, postos de saúde, delegacias, etc. Fora o custo de manutenção disto. É muito caro.

Para exemplificar, vou comparar a situação a um condomínio. Em um prédio com academia, piscina, portaria 24h e salão de festas, o custo do condomínio dividindo em 10 apartamentos é muito superior ao dividir com 30 apartamentos. E esta é a minha provocação: precisamos de mais moradores onde já existe infraestrutura urbana instalada. Assim, reduzimos custo de vida, custo de deslocamento, e aumentamos nossa produtividade enquanto cidade – gerando maior desenvolvimento econômico para todos.

Porto Alegre, hoje, expulsa o pobre para a periferia porque não permitimos uma maior oferta de imóveis nas regiões com infraestrutura instalada, reduzindo o preço da habitação. Isso é desumano. Aumentamos o custo de vida, aumentamos tempo de deslocamento e condenamos quem não pode pagar pelo m2 médio das zonas centrais o isolamento social. Prejudicamos essa população a conseguir empregos, a ter mais tempo com seus filhos, e a conseguir chegar rapidamente a um hospital em caso de necessidade.

Não precisamos de arranha-céus, necessariamente, mas um melhor aproveitamento dos espaços urbanos – revisando nosso Plano Diretor – será uma grande oportunidade para podermos adensar, abrigar e prosperar.

 

Felipe Camozzato é Administrador e Especialista em Finanças pela UFRGS, e pós-graduado em Liderança Competitiva Global pela Georgetown University (EUA). Foi sócio-diretor de um grupo empresarial de serviços ambientais, e atualmente é vereador de Porto Alegre pelo Partido NOVO.

Por: Felipe Camozzato

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