A solução impossível

Publicada em 25/08/2020

Quando, em Março, começaram as restrições em Porto Alegre em razão do COVID-19, muitos alertaram que era cedo demais, e que poderíamos estar empurrando o topo da famosa curva para dentro do inverno. O decreto de calamidade pública entrou em vigor quando havia três vítimas fatais na cidade. A promessa foi que, durante o isolamento forçado, o Poder Público – leia-se a Prefeitura de Porto Alegre – se prepararia para o enfrentamento da pandemia.

Em 14 de maio, ao anunciar uma reunião com então Ministro da Saúde, Nelson Teich, o Prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Junior, sentenciou pelo Twitter: “Porto Alegre possui leitos suficientes para o combate ao Coronavírus”. A partir de então, todo o investimento em leitos, respiradores e contratação de intensivistas foi feito pelo Governo Federal ou pela iniciativa privada. Mais de R$100 milhões chegaram a Porto Alegre, enviados pelo Ministério da Saúde, mas a capital não adquiriu respiradores. A justificativa foi que não havia disponibilidade no mercado, e que comprar respiradores era arriscado para os gestores públicos.

Enquanto isso, outras cidades gaúchas, como Campo Bom, conseguiram adquirir respiradores a preços adequados, entregues em prazos aceitáveis. O resultado? Porto Alegre entra no auge do inverno, quando tradicionalmente faltam vagas em emergências e UTIs, sem que a Prefeitura tenha feito seu papel na ampliação da capacidade de atendimento.

Decretos vão e vem, empresas inteiras abrem e fecham ao sabor do vento, sem planejamento, sem discussão com a sociedade, a partir de decisões tomadas no Paço Municipal de madrugada. Tudo é feito em nome da ciência, mas as decisões mudam toda semana. O custo social das imposições decididas pela Prefeitura é incalculável. Empregos, renda (especialmente das famílias mais pobres), empreendimentos que levaram anos para se estabelecerem, tudo isso indo por água abaixo. Cada dia de fechamento aumenta a catástrofe das famílias portoalegrenses.

O pior sentimento é saber que poderíamos ter ampliado o atendimento – salvando vidas sem destruir o sustento de tantas famílias. E que o poder político, mais uma vez na nossa história, mostrou sua pior face: autoritário, concentrador, populista, ineficiente, sem respeito pela sociedade e pelos cidadãos.

Se vamos vencer o Coronavírus, não será pela ação do Governo Municipal de Porto Alegre.

Ricardo Gomes se formou em Direito na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul em 2003. Em 2005 concluiu sua Pós-graduação em Direito Trabalhista, também pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. É mestrando em História pela Universidad Francisco Marroquín (Guatemala).

Escrito por: Ricardo Gomes

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