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Biden quer aumentar impostos dos ricos, e Wall Street tem o maior tombo desde março

Publicada em 03/05/2021

Matéria retirada do site Você SA.

Ninguém gosta de pagar imposto — investidor menos ainda. Prova disso é a reação de Wall Street diante das primeiras informações do plano de uma reforma tributária nos Estados Unidos, centrado no aumento de impostos sobre a parcela mais rica da população. A reação foi óbvia: queda nos principais índices americanos que arrastaram o resto do mundo.

O governo democrata, numa guinada à esquerda, deve quase dobrar o imposto sobre ganho de capital para os mais ricos, chegando a marca de 39,6%. Cobrar sobre o ganho de capital nada mais é do que taxar o lucro do investidor, ficando com uma parte do dinheiro que ele ganhou vendendo alguma coisa (ações ou imóveis, por exemplo).  O que o governo Biden quer fazer é aumentar os impostos sobre esse valor, o que afeta diretamente quem lucra com a venda de ações no mercado financeiro.

Somado com outras taxas sobre investimentos já existentes, aqueles que ganham mais de um milhão de dólares poderão encarar um imposto federal de 43,4%, segundo a agência de notícias Bloomberg, a primeira a revelar o plano. Além disso, o Imposto de Renda para a camada mais rica também deve aumentar, de 37% para 39,6%.

Apenas a título de contexto, a alíquota máxima de imposto de renda no Brasil é de 27,5% e o ganho de capital com ações, o investidor paga 15% (mas se o lucro for de até R$ 20 mil por mês, ele não paga nada).

Segundo a imprensa americana, o dinheiro arrecadado com os impostos dos mais ricos será usado para financiar medidas de combate à desigualdade a longo prazo, como investimentos em assistência infantil, educação pré-escolar universal e licença remunerada para trabalhadores. Essa era uma das bandeiras de campanha de Biden.

Cobrar mais impostos da fatia mais rica da população é bem comum em países desenvolvidos. Nos Estados Unidos, uma pesquisa feita em janeiro mostrou que há apoio popular alto para a medida: dois terços dos entrevistados em um levantamento da Reuters disseram apoiar a taxação dos mais ricos. Ainda assim, aumento de impostos é uma coisa antipática e o plano é visto com cautela até mesmo entre os Democratas.

E tem a questão política, claro. A guinada contrasta com a política tributária do governo Trump, que, em 2017, passou legislação reduzindo os impostos pagos especialmente por indivíduos mais ricos.

De qualquer forma, quem não gostou nada da novidade foram os investidores. A notícia fez as bolsas derreterem: o índice Dow Jones perdeu 0,95% , enquanto o S&P 500 fechou com queda de 0,92% e o Nasdaq, -0,94%. São as maiores quedas desde o meio de março deste ano. 

Desde manhã as bolsas americanas já operavam em queda, ainda que mais leve. Cautelosos, os investidores não repetiram o movimento de otimismo da semana passada com a divulgação dos números de desemprego melhores do que o esperado: foram apenas 547 mil novos pedidos de auxílio desemprego na semana passada, em comparação com os 603 mil previstos. 

Por aqui, o Ibovespa até abriu em alta após o feriado, surfando na ótima quarta-feira registrada em Nova York. Mas inevitavelmente despencou junto com seus primos americanos: queda de 0,58%, perdendo os 120 mil pontos duramente mantidos na terça-feira.

Quem se deu bem no dia foi a Europa, que fechou antes da manchete da Bloomberg. Por lá, o índice Stoxx 600 fechou em alta de 0,70%, puxado para cima após a decisão do Banco Central Europeu de manutenção das taxas de juros nas mínimas e as falas otimistas da presidente Christine Lagarde, que prevê que a zona do euro pode voltar aos níveis pré-pandêmicos em 2022, com a vacinação acelerando. 

Resta saber quanto tempo vai durar esse mau humor dos investidores com um aumento de impostos. 

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